Abrindo caminho para a promessa do 5G

Jim Poole

As redes sem fio de alta velocidade irão acelerar a transformação das redes atuais

No artigo “Você está pronto para o 5G?“, eu exploro como a arquitetura da quinta geração móvel/sem fio apresenta grandes promessas para transformar o mundo por meio do aperfeiçoamento da velocidade, da escalabilidade e da segurança da rede de telefonia móvel global. Agora, nessa previsão sobre para onde o 5G pode nos levar, eu analiso como as empresas têm a oportunidade de aproveitar ao máximo esses incríveis avanços nas redes de alta velocidade.

As redes 5G possibilitam até 1 milhão de conexões por quilômetro com pouquíssima energia e devem superar consideravelmente as redes 4G, o que otimiza aplicações como a Internet das Coisas (IoT), a inteligência artificial (AI), a próxima geração de vídeo de alta definição e o acesso fixo a redes sem fio. A largura de banda extremamente veloz (100 Mbps) e a latência ultrabaixa (até 1 milissegundo) do 5G também possibilitam controle de missão crítica, o que abre caminho para novas aplicações que exigem segurança absoluta, como nas áreas de saúde, energia ou transporte autônomo.

A Cisco estima que as conexões 5G crescerão mais de 1.000%, de 2,3 milhões em 2020 para mais de 25 milhões em 2021, sobretudo em dispositivos de borda. Essas conexões devem impulsionar volumes de tráfego bem intensos, 4,7 vezes maiores do que a média da conexão 4G até 2021.[i] Espera-se que as soluções de 5G sejam disponibilizadas entre o final de 2019 e o início de 2020 por fornecedores como a AT&T, a NTT Docomo, a Sprint USA, a Telstra, a T-Mobile e a Verizon. No entanto, as empresas precisarão se preparar para esta nova ruptura digital com muita antecedência para a transformação mais importante necessária para integrar essas conexões sem fio ultravelozes.

Para começar, algumas coisas que você vai querer saber sobre a adoção do G5

Existem alguns fatores associados à adoção do 5G pelas empresas, como, por exemplo:

  • Obtenção de aprovação de normas reguladoras: Os principais órgãos de normatização do 5G envolvidos nesses processos são o 3rd Generation Partnership Project, a Internet Engineering Task Force e a International Telecommunication Union.
  • Leilão/licenciamento do espectro de 28 gigahertz (gHz) pela Federal Communications Commission (FCC): A FCC iniciou o leilão do espectro de 28 GHz no dia 14 de novembro de 2018. Também será realizado outro leilão da banda de 24 GHz logo em seguida. A FCC espera vender 6.000 licenças de frequências.
  • Ratificação da interface aérea 5G: Este processo consiste na construção de blocos e mecanismos de configuração (waveform adaptável, protocolos adaptáveis, estrutura de quadros adaptável, codificação adaptável e modulação e esquemas de acesso múltiplo adaptativos) para acomodar a futura variedade de serviços ao usuário, bandas de espectro e níveis de tráfego.
  • Melhoria nas estratégias de retorno sobre investimento (ROI) das operadoras: Permitir que as operadoras de telefonia móveis compensem os gastos associados à nova infraestrutura necessários para as transformações e implantações que antecipam a monetização dos seus investimentos em tecnologia 5G.
  • Aceleração do acesso econômico: Aliar os benefícios do fornecimento de acesso de alta velocidade e o custo de ampliação das redes de banda larga de fibra óptica, sobretudo em áreas rurais remotas.

Tão logo essas questões sejam resolvidas por boa parte do setor, estaremos um passo mais próximos do 5G, mas não sem a transformação necessária nas redes das empresas, para que se possa utilizar e monetizar plenamente os recursos e os benefícios do 5G.

Transformação da rede, inúmeras oportunidades

O 5G não se trata só de conexões de dados e serviços de internet ao consumidor mais rápidos. Esta tecnologia é a chave de infinitas possibilidades de transformação digital, especialmente em um mundo de IoT e Inteligência Artificial. O real valor do 5G e a razão pela qual estamos vendo investimentos pesados na construção dessas redes (a Moor Insights & Strategy prevê investimentos em hardware de até US$ 326 bilhões até 2025 ) é para auxiliar as empresas e os consumidores para que tenham acesso a recursos novos inacessíveis atualmente.[ii]

Contudo, não será fácil gerenciar conexões de fibra e aplicações de latência muito baixas. As empresas e os prestadores de serviço terão de reformular e reconstruir as redes móveis existentes, o que não será uma tarefa fácil. A fim de compensar a alta densidade de rádio exigida pelo 5G, os operadores pretendem otimizar os custos usando hardwares de rede open source e virtualização de conjuntos de redes sem fio. Isso exige uma arquitetura diferente oferecida pelas redes de acesso à rádio em nuvem (C-RANs) ou pela potencialização de diversas radiofrequências por meio de conjuntos de softwares de rede virtualizados.

Para que as aplicações 5G funcionem, os operadores de rede terão de disponibilizar de forma maciça C-RANs, tecnologia small cell e mobile edge compute (MEC) em densidades altíssimas na edge, próximas às áreas em que os usuários utilizam serviços. Isso inclui algumas áreas remotas do mundo, como o deserto australiano, onde várias minas e equipamentos com sensores sem fio precisam ser monitorados constantemente e gerenciados de forma remota.

Além disso, a tecnologia de ondas milimétricas, que é a banda do espectro entre 30 e 300 Ghz, também está nas perspectivas do 5G. Atualmente, pesquisadores estão testando tecnologia de banda larga sem fio 5G no espectro de onda milimétrica para aplicação em diversos produtos e serviços, tais como acesso de alta velocidade à banda larga e a redes sem fio locais ponto a ponto. Nas telecomunicações, as ondas milimétricas são usadas em diversos serviços de redes móveis e sem fio, pois oferece maiores taxas de dados que podem chegar até 10 Gbps.

Prevemos investimentos vultuosos em 2019 com as infraestruturas de telefonia móvel atuais (ex. densificação de 4G) sendo aperfeiçoadas e novas estruturas de borda para recepção do 5G sendo construídas. Também prevemos muitas inovações em hardware de rede existente em open source e conjuntos de redes sem fio virtuais para otimizar os custos.

Interconexão para aproveitar o poder do 5G

Implementar esses recursos de alta densidade na edge pode ser mais fácil em uma plataforma de interconexão, como a Plataforma Equinix®, que abrange 52 mercados globais. A interconexão (troca de tráfego privada entre empresas) é a conectividade mais rápida, segura, com maior largura de banda e menor latência existente. Uma plataforma de interconexão tão ágil e neutra para os fornecedores também permite acesso direto e seguro a ecossistemas de provedores de conteúdo, rede, nuvem e SaaS, além de acesso a diversos serviços de análise em tempo real e big data, que serão fundamentais para gerenciar as quantidades maciças de dados que as redes 5G fornecerão às empresas.

Sabemos como a revolução 5G levará as infraestruturas de TI dos nossos clientes do mundo todo à próxima geração de desempenho, escalabilidade e segurança, abrindo uma porta para aplicações e casos de uso que eles nem imaginam. Com planejamento prévio e estratégias sólidas de transformação de rede que empregam as melhores práticas de uma Arquitetura Orientada a Interconexão (IOA®), estaremos prontos para tudo que o 5G nos oferecerá.

Leia mais sobre como implementar várias redes em todas as velocidades na edge no material  IOA Network Blueprint.

[i] Cisco

[ii] Moor Insights & Strategy

 

Confira nossos outros posts sobre essas previsões:

5 previsões de TI para os negócios digitais em 2019

A ascensão das arquiteturas distribuídas de Inteligência Artificial

Jim Poole
Jim Poole Vice President, Business Development, Equinix, Inc.