Como a interconexão pode mitigar o delay na transmissão de eventos esportivos?

Wellington Lordelo

Futebol é paixão nacional. Estamos em meio aos Campeonatos Estaduais de Futebol no Brasil. Em junho, teremos pela frente a Copa América e a Copa do Mundo de Futebol Feminino. Neste contexto, é importante rever um ponto que temos notado em outros eventos esportivos: a experiência do usuário é determinante para o sucesso de qualquer emissora ou produtora de conteúdo. Aqueles que assistem os jogos pela TV a cabo ou via streaming podem perceber claramente o atraso na transmissão, quando seus vizinhos que acompanhavam pela TV aberta ou rádio gritam “gol” bem antes deles. Durante a Copa de 2018, por exemplo, vários vídeos circularam nas redes sociais mostrando a diferença – que chegava a 40 segundos em alguns casos –, o que prova que um atraso na transmissão de eventos esportivos em tempo real, ainda que pequeno, pode acabar com a graça de quem assiste.

A razão desse delay já é bem conhecida: o caminho do sinal, desde a captura da imagem até a recepção do usuário final, é maior pela TV a cabo do que pela TV aberta (maior ainda via streaming). Mas qual seria a alternativa então? Muitos saem comprando antenas, o que com certeza não é solução ideal (para aqueles que investiram em televisores de alta definição ou 4K em busca de qualidade, definitivamente não é). Na verdade, a solução para reduzir esse atraso existe sim – se chama interconexão. O usuário final pode exigir que seu provedor de Internet seja bem interconectado para gastar menos “saltos” para atingir o conteúdo.

A plataforma atual dessas empresas ainda é arquitetada em torno de uma tecnologia tradicional e de redes centralizadas para a recepção e distribuição de mídia. As emissoras recebem a transmissão de um jogo do outro lado do mundo, levam os dados para suas sedes cada um de um jeito (geralmente pelo caminho da Internet pública) e depois distribuem para os assinantes, seja por fibra ótica ou satélite. Esse modelo fixo em silos de criação, armazenamento e distribuição já não comporta mais o volume de dados, o crescimento dos negócios em escala global e a velocidade de transmissão exigida hoje em dia, sendo ainda muito custoso, rígido e restritivo.

Já a interconexão permite que a troca de dados seja feita diretamente entre as companhias de mídia digital, sem passar necessariamente pela Internet. Ao conectar de modo privado vários data centers espalhados pelo globo, a interconexão cria uma espécie de “rodovia privada” aberta só para essas empresas, um caminho menos congestionado e muito mais rápido do que a “rodovia pública” da Internet. Previmos, no Global Interconnection Index Volume 2, o GXI, que em 2021 a velocidade de interconexão provisionada deve chegar a mais de 8.200 tbps em capacidade, ou o equivalente a 33 zettabytes (ZB) de troca de dados por ano. Isso representa uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) significativa no período de cinco anos, alcançando 48%, quase o dobro da CAGR esperada de 26% do tráfego IP global.

Em um nível básico, a interconexão entre data centers ajuda a garantir que o fluxo de vídeo em tempo real seja entregue sem falhas. No caso da Copa da Rússia, por exemplo, a transmissão teria a velocidade e a baixa latência necessárias para garantir a melhor experiência de visualização possível (ou seja, com qualidade de imagem e sem atraso). Acreditamos que os eventos que acontecem ainda este ano não estarão preparados para evitar o delay, mas há tempo hábil para preparar o terreno para eventos futuros. Com uma plataforma interconectada, as empresas de conteúdo e mídia digital podem escalar rápida e facilmente suas produções, conectar-se de forma privada com parceiros de entrega de conteúdo e criar produtos inovadores e customizados para o usuário final, gerando novas receitas e novas formas de consumo de mídia.

Um exemplo é a Discovery Communications. A companhia implementou uma arquitetura já orientada à interconexão, que a permitiu transformar seu negócio em um modelo distribuído e totalmente baseado em nuvem. Colocando a sua infraestrutura de TI em data centers interconectados em Ashburn, Londres e Paris, a Discovery consolidou 80% de sua plataforma, otimizando a entrega de conteúdo mundial e acelerando a entrega de produtos em tempo real conexões de latência. A ideia é atender à demanda de consumo advinda da transmissão dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

Já aqui no Brasil, o movimento de adoção da interconexão pelo setor de Conteúdo e Mídias Digitais está crescendo dia após dia. As empresas já se atentaram a importância dessa abordagem, principalmente no que tange à possibilidade de inovar e gerar novas fontes de receita, especialmente com relação a serviços de streaming. Segundo o mesmo estudo já citado, esse é o segmento que mais crescerá na América Latina até 2021, crescendo a uma CAGR de 63% e representando 35% do total de Velocidade de Interconexão na região. Confira todos os setores da América Latina no diagrama abaixo:

Este é o momento para nossas empresas investirem em tecnologia e ganhar competitividade. Com a experiência do usuário tão em evidência, as emissoras e produtoras de conteúdo brasileiras têm que dar o próximo passo, já se preparando para os próximos grandes eventos esportivos, se tornando companhias verdadeiramente globais.

Para entender mais sobre como a interconexão pode apoiar esse setor, acesse o Playbook de Conteúdo e Mídias Digitais. Além de tendências de mercado e insights, o material traz um roadmap completo para que as empresas saibam passo a passo como se tornarem provedores digitais.

*Wellington Lordelo é gerente de Solution Marketing da Equinix Brasil

Wellington Lordelo
Wellington Lordelo Manager, Solution Marketing